sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Onde a moda tem vez

Ontem fui ao Shopping Vitória para comprar algumas coisas que usaria na minha apresentação de dança flamenca. Como toda época natalina, o shopping estava lotado. Cheguei no Giraffas e não pude deixar de jantar um de meus pratos favoritos, o estrogonoff de frango. Depois de perceber que meu prato preferido estava mais caro e com menos comida fui, enfim, comprar o que eu precisava. No caminho, sem querer, percebi que tinham muitas pessoas iguais. Meninas, pra falar a verdade. Todas estavam de sandálias, jeans, blusas caída nos ombros, maquiadas e com o cabelo liso. E nos dois pisos do shopping eu percebia que só mudavam as estampas das blusas. Seria uma padronização da moda ou das pessoas? E nas vitrines sempre tinham o que elas estavam usando. Eram pessoas de classe média e as de classe baixa e as meninas com cabelos cacheados tentavam imitá-las usando roupas de marcas inferiores e chapinha para deixarem os cabelos lisos.
Achei tudo aquilo tão mórbido e sem sentido. Não me ausento de culpa porque, como toda mulher, muitas vezes segui a “tendência” e me “uniformizei também. Sim, uma uniformização das pessoas. São com aqueles atendentes de lojas de departamentos que ninguém olha para o rosto ou como os garis que passam despercebidos entre nós no qual só o notamos devido ao cheiro que nos enjoa. Ninguém vê. A diferença entre essas meninas e os trabalhadores uniformizados talvez seja os perfumes caros que elas usam ou as roupas de qualidade superior. Nada mais do que isso.
Agora entendo porque a universidade é tão diferente do mundo aqui fora. Lá as pessoas tentam serrem autênticas a sua maneira. Nem sempre conseguem. Chamam mais atenção por sua aparência excêntrica do que realmente por seu estilo alternativo. São pessoas que tentam fugir da tendência e passam a existir de sua maneira. Mas o mais cômico de tudo é quando chega a hora de arranjar uma vaga de trabalho. Se forem preciso se vestirem de palhaços de circo, elas esse vestem e todo o seu conceito de “alternativo” e seja feliz a sua maneira vai por água a baixo. O mundo não tem lugar para o diferente.
Outra coisa que me chamou a atenção foi a quantidade de acessórios em prata que se vende a preço de banana no ponto de ônibus. Pessoas que são simples Macabéas da vida vendem cordões de prata a 10 ou 15 reais. Como diz uma amiga minha, “tá na cara que é 'cabrito' (roubado)”. E o mais interessante: as pessoas que os compram são justamente as que foram roubadas. Mas por que elas compram? Simples: a prata está na moda. Irônico, não?
Como bem mostrou Clarice Lispector, somos todos Macabéas dentro da grande cidade. Precisamos ser notados, mesmo quando não somos vistos. É, são as tiranias da vida.
...

8 comentários:

darsh. disse...

Eu me sinto tão mal às vezes quando ando no shopping toda mulambenta, que até tenho medo de ser expulsa hahuahuahuhau

ps.: eu sempre olho pra cara dos vendedores de lojas de departamento, eles sempre me ajudam, porque eu nunca acho o que eu tô procurando.

Raphael Oliveira disse...

BOA NOITEE! =]

Chriiis... Primaa, seu blog tá mto mara. Textos liindos! :)
Sobre o teeexto, é triste ver que as pessoas aceitam se "uniformizar" pra serem aceitas em grupos sociais, por outras pessoas ou pq viram que a atriz da novela está usando aquela roupa!! ¬¬'

Viva as diferenças! o/

Livin la vida loca!
yaaahuaahua

beiijo :**

Marcel disse...

Carak... eu escrevi algo sobre o mesmo assunto no meu blog há um tempo!!! ("Sobre a moda e outros demônios").

Nem tenho como discordar de vc. É verdade. É triste mas tenho que admitir que não vão me deixar trabalhar de bata branca, bermuda de algodão e sandália rasgada quando chegar minha vez...

(munducão)

RodrigO [OsBunitãO] disse...

Da hora!
Eu não ligo muito pra roupa não, sempre usei bermuda, camiseta e boné, se assim eu não for aceito em algum lugar fod...!
O importante é a pessoa ser ela mesma e se sentir bem com o que veste!
Ótimo texto, parabens!
bjO

Cristina Santos disse...

Eh verdade, pena que meu trabalho nao pensa assim. Mas ano que vem voltarei a ser a hipponga que sempre fui (antes do trabalho, lógico) rsrs.

Aline Dias disse...

disse o drummond:

Eu, etiqueta.
Em minha calça está grudado um nome,
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meus tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de idade.
Meu lenço,meu relógio,meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo,minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso,meu aquilo,
desde a cabeça até o bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordem de uso,abuso,reincidência,
costume,hábito,premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou,estou namoda.
É doce estar na moda,ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos logotipos de mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante,sentinte,solitário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar,ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer principalmente).
E nisto me comprazo,tiro glória
de minha anulação.
Não sou- vê lá- anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar,para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo está etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas indiossicrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
a cada gesto,cada olhar
cada vinco de roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado,sou tecido,
sou gravado de forma universal,
asio de estamparia,não de casa,
da vitrine me tiram,me recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo dos outros
objetos estáticos,tarifados.
Por me ostentar assim,tão orgulhoso
de ser não eu,mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem,
meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa,coisamente.
(Carlos Drummond de Andrade)

Philipe disse...

parabens pelo site meio rosa rs mas mt bom parabens

Fiore disse...

Caraca,
você é muito observadora!
Realmente está havendo uma padronização de tudo nessa vida.
As vezes, as pessoas nem se sentem tão bem em certa roupa ou calçado, mas está nela, não por ser bonito, mas por ser estar na moda.
Porque a menina bonita da faculdade ou escola tem um, ou porque a personagem da tal novela usou.
É bem triste, que as pessoas estejam em sua maioria se tornando fúteis, robôs, materialistas e NEM UM POUCO AUTENTICAS!

Obrigada pelo elogio ao texto!
Gostei muito dos textos abaixo também. Sempre que estiver com um tempinho voltarei aqui para acompanhar os comentários da menina que tem uma super tele objetiva nos olhos e no pensamento xD

Fico feliz de conseguir passar o que sinto. Sempre acho que os textos estão ruins ou superficiais hiuahouiaa fico feliz que as pessoas se indenficam também com eles e que não estou só! =D

espero que volte sempre xD

alias, acho que daqui a pouco passarei o comentário de aline, se é que isso é possível! hiuhauiHaiuhouia

bjaooo CHRIS!
;*