domingo, 7 de junho de 2009

Salva pela cor

Ser pretinha tem suas vantagens. Além de nunca mudarmos de cor, o máximo que conseguimos é ficar com um pouco mais de melanina no verão, descobri a principal vantagem há dois meses quando eu voltava do trabalho: ter cara de pobre! Vou explicar melhor.
Depois de uma tarde de trabalho no meu antigo estágio (PMV) fui pegar o ônibus 213. Para quem não conhece é o ônibs que passa na Mata da Praia, bairro nobre de Vitória. Como todos os dias comuns, haviam várias meninas de classe média alta escutando música nos seus celulares ultra- modernos e uma outra com o seu laptop de "bobeira para o ar". Eis que entram dois caras, um negro e outro mestiço e pulam a roleta. Eu estava viajando em meus pensamentos e nem notei quando eles fizeram isso. Depois de muito olharem e verem que a situação era propícia, eles anunciaram o assalto.
Começaram a gritar "passe o celular, anda, anda" e as meninas, embora estivessem com medo, pediram para ao menos tirarem o chip. Eles ficaram nervosos e ameaçaram atirar se elas dissessem mais alguma coisa. Por sorte de uma das passageiras, não levaram o notebook. Depois começaram a passar de cadeira em cadeira pedindo o celular das pessoas, principalmente das mulheres. Não tinham mais do que 15 pessoas, contando com os assaltantes, no ônibus. Mesmo com a confusão, eu tentei me manter calma e fui procurar meu celular novo que meu pai tinha me dado de aniversário. Eu o considero até "chiquezinho": Mp3, câmera de video e de foto, contador de exercícios físicos e mais um monte de vantagens que só a Sony Ericsson pode oferecer. Já estava com pesar em perder meu celular new generation que barravam muitos dos que foram roubados. Não sei se vocês conhecem bolsa de mulher, mas a minha é um kit de sobrevivência, por isso demorei tanto para achar meu aparelho. Porém, quando finalmente eu o encontrei, os bandidos simplesmente desceram!
Como assim desceram? isso é racismo ou solidariedade com os "amigos de cor"? Fiquei intrigada. Eu poderia ter gritado: ei, sou pretinha mas tenho celular da moda, tá?! Mas achei que já era sorte demais num dia só. Cheguei em casa e agradesci a Deus por não ter tido tempo de me arrumar muito bem antes de sair e da cor que, além de me proteger dos raios solares e do câncer de pele, esconder a minha verdadeira idade mesmo quando eu tiver uns 80 anos, ser prova da nossa realeza africana, ainda é capaz de assegurar minha vida e meus pentences. Enfim, me perdoe os branquinhos, mas nós negros somos muito sortudos!